Pílula anticoncepcional: conheça mitos e verdades

Industrializada desde 1960, a pílula anticoncepcional permite que a mulher tenha sua vida sexual plena sem o ônus da gravidez. Hoje, é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como um dos métodos mais efetivos de anticoncepção, com eficácia de até 99% se utilizado de forma correta. A princípio, os comprimidos apresentavam altas doses hormonais de estrogênio e progesterona, resultando em distúrbios vasculares, edema e dores nas mamas. Atualmente, a quantidade desses hormônios é bem menor, reduzindo consideravelmente esses efeitos. 

Cuidados

Com a vida sexual iniciada cada vez mais precocemente, não há idade mínima para o uso da pílula. Entretanto, Cristina Guazzelli, professora e doutora do Departamento de Obstetrícia da Escola Paulista de Medicina e membro da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP), ressalta que é importante o acompanhamento de um médico, principalmente para verificar se há contraindicação do seu uso – não só para as mulheres mais jovens, mas para qualquer faixa etária. “Há restrições para a indicação de qualquer método anticoncepcional, em especial para a pílula. Por isso, a orientação do médico é fundamental. Por exemplo, a utilização deste método deve ser evitada em pacientes com trombose, hipertensão arterial, diabetes complicada ou nas que tenham mais de 35 anos e sejam fumantes. Nestes casos, recomendamos outros contraceptivos”, reforça. Após a prescrição do método, a paciente deverá retornar para seguimento e controle. Queixas como dores nas mamas e sangramento irregular são comuns. Mas o aparecimento e persistência de fortes dores de cabeça associadas a náuseas ou alterações visuais necessitam de acompanhamento cauteloso. Outro cuidado é a informação sobre a utilização de medicamentos que interferem no efeito do contraceptivo, isto é, diminuem a eficácia. Segundo Cristina, os principais são os anticonvulsivantes, antibióticos, alguns remédios para enxaqueca e drogas utilizadas no tratamento do HIV.

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Benefícios

Estudo realizado pela Gothenburg University, na Suécia, com 1.300 voluntárias, de 19 a 24 anos, apresentou relatos de diminuição na intensidade da cólica menstrual com o uso da pílula. A especialista informa que também há redução na intensidade e duração no fluxo menstrual. “Isso tem importância, pois diminui a chance da paciente ter anemia – presente em cerca de 30% das mulheres brasileiras em idade reprodutiva. Ela também ameniza os sintomas relacionados à tensão pré-menstrual e endometriose”, explica. A pílula ainda pode ser utilizada para auxiliar tratamento de acne e hirsutismo. Há uma melhora no humor assim como na qualidade da vida sexual. Ajuda também na produção de colágeno, mantendo a pele firme, saudável e sedosa. É recomendada também para portadoras de ovário policístico e para mulheres no climatério, diminuindo as ondas de calor e de suor noturno. Especialistas da Stanford University descobriram que determinado tipo de pílula auxilia o tratamento da depressão por reduzir as alucinações e delírios.  Usuárias de anticoncepcional hormonal combinado oral devem ser comunicadas que apresentam menor chance de ter câncer de ovário, útero e intestino. “É um ganho para as mulheres. Além de tudo, atualmente, elas podem escolher quando e quantas vezes desejam menstruar durante o ano. Existem pílulas para as que desejam menstruar mensalmente, trimestralmente ou para aquelas que não querem. Essas opções necessitam ser avaliadas em conjunto com o ginecologista”, completa Cristina. 

Pílula de emergência

Anticoncepção de emergência são pílulas recomendadas quando ocorre uma relação sexual desprotegida – sem método, ou, por exemplo, quando a camisinha rompe ou a pílula é esquecida. Quanto antes ocorrer sua ingestão, melhor será sua ação. A utilização nas primeiras 24 horas apresenta eficácia de 88%. Seu uso é recomendado apenas uma vez por ciclo. A repetição da anticoncepção de emergência no mesmo ciclo aumenta o risco de falha.  Após utilizar essa alternativa, deve-se esperar a próxima menstruação para iniciar método anticoncepcional tradicional. O uso constante, além de prejudicar o próprio efeito da pílula, também pode contribuir para dificultar futuras gestações. As reações hormonais também podem implicar em ganho de peso, mas variam de mulher para mulher e só podem ser diagnosticadas por especialistas.

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