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Policial atirou e matou adolescente de 15 anos em Porto Alegre, diz Civil

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“Ele confessou. Foi retirado do serviço de rua e procurou atendimento psicológico e psiquiátrico. Está em tratamento por dez dias e colaborando com as investigações”, explica o delegado responsável pelo caso

Policial atirou e matou adolescente de 15 anos em Porto Alegre, diz Civil
Foto: Arquivo pessoal

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil (Cogepol) confirmou, em coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira, 12/04, que um policial disparou o tiro que matou João Vitor Macedo, de 15 anos, ferido a tiros dia 28 de março em Porto Alegre.

Segundo o delegado Rafael Sobreiro, à frente da investigação, o nome do policial não foi divulgado para não expô-lo. “Ele confessou. Foi retirado do serviço de rua e procurou atendimento psicológico e psiquiátrico. Está em tratamento por dez dias e colaborando com as investigações”, explica Sobreiro.

Quando retornar do atestado, o policial deve ser alocado em um setor administrativo da Polícia Civil.

O delegado Sobreiro disse que não pode divulgar detalhes das circunstâncias em que o adolescente foi baleado e se o policial vai ser responsabilizado. Ele prevê a conclusão da investigação para entre 60 e 90 dias.

“[Estamos sendo cautelosos] para que a gente não tenha dúvidas. É culpado? Está aqui a situação que nós apuramos. Não é, a gente não vai expor (o policial) para não prejudicá-lo. Afinal, ele tem uma vida profissional, pessoal. Nós vamos dar o nosso máximo. É prioridade número esclarecer. Para a família da vítima e para o policial, para que não paire dúvidas sobre a conduta dele”, explica Sobreiro.

O crime

De acordo com o Chefe de Polícia do Estado do Rio Grande do Sul, Fernando Sodré, após ser baleado, João foi encontrado com vida em uma rua do bairro Agronomia. Testemunhas teriam apontado que os responsáveis pelo crime eram policiais. Ele foi socorrido, recebeu atendimento médico, mas morreu.

Familiares contam que imagens registradas por uma câmera de segurança mostram o momento em que o adolescente, junto de outra pessoa, corre de uma viatura policial, a partir da Avenida Bento Gonçalves, em direção a uma rua do bairro. Os dois entram na rua, a viatura segue atrás e todos saem do quadro da câmera.

Algum tempo depois, a outra pessoa que estava com João é vista nas imagens correndo no sentido oposto e a viatura segue atrás. João Victor não é visto. Mais tarde, ele foi encontrado ferido no local.

O delegado Sodré confirma a legitimidade das imagens da câmera de segurança. Elas não foram cedidas à imprensa porque, segundo a polícia, poderia atrapalhar as investigações.

Ele explica que a investigação policial tenta esclarecer o que teria acontecido no momento que não é registrado em vídeo. Afirma, ainda, que a viatura vista através da câmera é do Departamento de Polícia Metropolitano e que dentro dela estavam dois policiais civis.

A mãe de João, Juliana Lopes Macedo, diz que o filho e a segunda pessoa estariam tentando cometer assaltos a pedestres quando o fato aconteceu. “Se ele estava errado, ele deveria estar no Deca (Departamento Estadual da Criança e do Adolescente), ele não deveria estar morto”, afirma.

Fonte: g1 RS