Reconheça e evite erros ao tratar uma dor de cabeça

Estresse físico e emocional, barulho, luminosidade excessiva, dormir pouco, jejum prolongado, consumo exagerado de álcool, gorduras e sedentarismo: todos esses são apenas alguns dos gatilhos mais comuns para a dor de cabeça. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, 95% da população terá uma dor de cabeça ao longo de sua vida, e 13 milhões de brasileiros sentem dor de cabeça pelo menos 15 dias por mês, o que chamamos de cefaleia crônica diária.

A neurologista Thaís Rodrigues Villa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que a maioria, infelizmente, costuma procurar atendimento médico apenas quando a dor de cabeça aparece com crises intensas e, principalmente, muito frequentes. Mas esse é apenas um dos equívocos quando o assunto é tratar a cefaleia. Veja outros erros e elimine a dor de cabeça junto com esses maus hábitos. 

Automedicação

O uso excessivo de analgésicos, sem prescrição médica, pode transformar uma dor de cabeça esporádica em crônica, ou seja, quase diária. “Quanto mais se toma analgésicos, menos efeito eles fazem, o que pode fazer a pessoa procurar remédios mais potentes, ou aumentar sua dose, levando a um perigoso círculo vicioso de dor”, explica Thaís. O uso excessivo de medicações analgésicas é hoje a principal causa da enxaqueca crônica. “Analgésicos são medicações necessárias e excelentes para o tratamento das crises de dor aguda – o problema é a forma indiscriminada com que são usados, sem um diagnóstico e orientação médica adequada”, esclarece.

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Não prestar atenção na dor

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Fazer um diário de dor de cabeça ajuda não apenas quem sofre com a dor, mas também seu médico a combater a cefaleia – uma vez que os diagnósticos da enxaqueca e da dor do tipo tensional se baseiam nos dados clínicos, ou seja, nas informações que o paciente trouxer à consulta. “Quanto mais detalhado melhor”, orienta Thaís Rodrigues, que aconselha: “deve-se anotar no diário os dias em que a dor acontece, sua duração, intensidade, sintomas associados, se houve uso de alguma medicação e a situação desencadeante da crise”. 

Manter os velhos hábitos

Junto com o diário da dor, você vai também acabar descobrindo quais situações fazem a sua dor se agravar e, com isso, poderá evitá-las. A neurologista Thaís Rodrigues Villa explica que inibir as crises é a base do tratamento da cefaleia. Mudar hábitos, conforme a orientação do seu médico, é o primeiro passo para acabar com o incômodo. 

Não seguir o tratamento médico

Mesmo evitando os desencadeantes, algumas pessoas precisarão fazer um tratamento específico para prevenir que as crises ocorram. Ele é feito com medicações não analgésicas, prescritas pelo médico caso a caso, que vão ser tomadas diariamente por algum tempo. O neurologista José Geraldo Speciali, da Sociedade Brasileira para Estudos da Dor (SBED), explica que quando as crises são de baixa frequência – até duas vezes por mês – pode-se tomar analgésico apenas nos dias da crise. Mas se elas excedem essa frequência, há necessidade do tratamento preventivo por um tempo de, no mínimo, seis meses.

Conviver com a dor

A dor é um alerta de que algo está fora de ordem no seu corpo, eliminar esse sinal pode trazer consequências indesejadas. O neurologista José Geraldo Speciali conta que estudos demonstram que quem sofre de cefaleia frequente tem pior qualidade de vida em comparação com quem não convive com a dor. “E mais, os pacientes evitam situações importantes como contato social, reuniões familiares e processos seletivos em função da ansiedade, ou seja, o medo de assumir compromissos e não poder ir caso tenha uma crise nesse dia”, conta. 

Esperar até a dor passar

Muita gente pensa que o melhor a se fazer é esperar a dor de cabeça passar. Mas nem sempre isso funciona. Thaís Rodrigues explica que a dor de cabeça crônica tem tratamento. Ele é feito com medicações prescritas por um especialista – a maioria dessas medicações é tomada via oral. Mas também existem outras opções, como a acupuntura, as orientações de rotina, como a alimentação adequada, e o exercício físico regular.

Fonte: portal Minha Vida

(Foto: Reprodução)

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