Supermercados ampliam disputa pelo consumidor diante de mudanças no consumo
Setor supermercadista gaúcho enfrenta novos concorrentes, queda no poder de compra e mudanças nos hábitos das famílias

Caxias do Sul (RS) – As mudanças no comportamento do consumidor também estão transformando o setor supermercadista gaúcho. Embora o segmento tenha faturado R$ 75,6 bilhões no Rio Grande do Sul em 2025, com crescimento nominal de 8,38% e avanço real de 4,12%, o mercado enfrenta novos concorrentes, dificuldades para contratar trabalhadores, crédito caro e redução do poder de compra das famílias.
Supermercados enfrentam novos concorrentes
O diretor da Companhia Apolo de Supermercados e vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Antônio Cesa Longo, apresentou essa análise na terça-feira (4), durante o Conecta Alimentos e Bebidas Move+, em Caxias do Sul. O Sebrae RS promoveu o evento, que reuniu 26 empresas e conectou representantes da indústria, do varejo, do food service e de outros segmentos da cadeia.
Segundo Longo, os supermercados passaram a disputar consumidores com farmácias, lojas virtuais e marketplaces, que ampliaram a oferta de produtos tradicionalmente encontrados no varejo alimentar. “Há uma concorrência crescente dos e-commerces, das farmácias, que hoje vendem até remédio, tem o Mercado Livre”, afirmou. Ele participou de um painel com o coordenador estadual de projetos de Alimentos e Bebidas do Sebrae RS, Roger Klafer, e o presidente do Segh Uva e Vinho, Vicente Perini.
Renovação dos produtos desafia indústria e varejo
Além do aumento da concorrência, o mercado exige renovação constante. Conforme Longo, um supermercado de médio porte trabalha com aproximadamente 12 mil produtos. A cada mês, cerca de 5% desse portfólio dá lugar a novidades.
Por isso, a indústria precisa ir além do desenvolvimento de novos itens. As empresas também devem buscar diferenciais e fortalecer o relacionamento com o varejo. “Tem empresas que fazem produtos bem similares uns aos outros. Então, como é que tu vais te diferenciar? É por preço, por relacionamento?”, questionou.
Famílias priorizam preços e reorganizam gastos
O endividamento e a menor disponibilidade de renda tornam o consumidor mais atento aos preços e às prioridades do orçamento. Ao mesmo tempo, novos hábitos abrem oportunidades para produtos ligados à saúde, à longevidade e ao bem-estar. O setor também identifica uma procura maior por proteínas e uma redução na disposição para consumir bebidas alcoólicas.
De acordo com dados da Abras apresentados durante o encontro:
- o endividamento alcança 80% das famílias brasileiras;
- 30% das famílias estão inadimplentes;
- o mercado de apostas esportivas movimenta mais de R$ 37 bilhões no Brasil;
- mais de 25 milhões de brasileiros estão cadastrados em plataformas de apostas.
“Nesse cenário, entender o momento de consumo é fundamental para o varejo. O comportamento muda conforme o período do ano, as despesas das famílias e os preços dos produtos”, explicou Longo.
Experiência de compra ganha importância
Com mais concorrentes e produtos semelhantes disponíveis em diferentes canais, a experiência oferecida pelos supermercados se tornou ainda mais relevante. Além disso, aproximadamente 4 milhões de gaúchos frequentam supermercados diariamente.
Dessa forma, atendimento, organização e atenção aos detalhes podem influenciar a decisão de compra. “É preciso estar atento aos detalhes e ao atendimento, transformando cada contato com o consumidor em uma oportunidade. Cada um que tu atendes, cada fornada de pão que tu vendes por dia, é uma responsabilidade”, concluiu Longo.