Vinícola Garibaldi testa quase 60 variedades de uvas de nove países na Serra Gaúcha
Pesquisa realizada em Santa Tereza já resultou em vinhos premiados e prepara novo lançamento para 2027

Santa Tereza (RS) – A Cooperativa Vinícola Garibaldi testa quase 60 variedades de uvas de nove países em um vinhedo experimental na Serra Gaúcha. O projeto, iniciado em 2019, busca desenvolver novos vinhos, identificar cultivares adaptadas à região e ampliar as oportunidades para os produtores.
Uvas de diferentes países
O vinhedo experimental ocupa aproximadamente um hectare em Santa Tereza, em uma propriedade de um dos cooperados. Entre as variedades estão uvas da Romênia, Geórgia, Itália, Hungria e República Tcheca.
A pesquisa avalia produtividade, amadurecimento, resistência a doenças e adaptação ao clima. Em 2026, 22 variedades avançaram para a etapa de microvinificação, que permite produzir pequenas quantidades de vinho para análise.
Vinhos premiados e novidades
O projeto já originou rótulos premiados internacionalmente, como o Garibaldi In Veritas Pálava, de origem tcheca, e o In Veritas Irsai Oliver, de cultivar húngara. Outro resultado foi o espumante Garibaldi Viognier, premiado em 2025.
A próxima novidade será o Garibaldi In Veritas Busuioaca de Bohotin, produzido com uma uva romena. O lançamento está previsto para janeiro de 2027. Segundo o enólogo Ricardo Morari, o vinho rosé apresenta aromas semelhantes aos do Moscato, com notas que remetem ao manjericão.
Sustentabilidade e novas oportunidades
Entre as variedades estudadas estão a Soreli e a Muscaris, pertencentes ao grupo das chamadas uvas PIWI. Essas cultivares apresentam maior tolerância a doenças fúngicas e podem reduzir a necessidade de tratamentos nos vinhedos.
A cooperativa também pesquisa a Alexandrouli, uva originária da Geórgia, utilizada na elaboração de vinhos tintos leves, frescos e de menor teor alcoólico.
As novidades foram apresentadas em uma masterclass durante a ProWine São Paulo, em 7 de outubro.
Futuro da vitivinicultura
Para a Vinícola Garibaldi, que completa 95 anos em 2026 e reúne mais de 460 cooperados, o projeto busca ampliar a rentabilidade dos produtores e incentivar a sucessão familiar na viticultura.
“Esse trabalho, acima de tudo, propõe uma reflexão sobre o que essas cultivares podem acrescentar à vitivinicultura brasileira nos próximos anos”, afirma Morari.