Justiça condena 15 pessoas por assalto no aeroporto de Caxias do Sul

Justiça Federal condena 15 réus envolvidos no roubo de R$ 30 milhões no Aeroporto de Caxias do Sul; criminosos eram membros do PCC e dos Bala na Cara

Justiça condena 15 pessoas por assalto no aeroporto de Caxias do Sul.
Imagens de monitoramento registraram a ação dos criminosos no aeroporto de Caxias do Sul. Foto: Reprodução

A 3ª Vara Federal de Passo Fundo (RS) condenou 15 envolvidos no assalto ao avião pagador no Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul. O crime, ocorrido em 19 de junho de 2024, visava o roubo de R$ 30 milhões da Caixa Econômica Federal. A sentença do juiz Rodrigo Becker Pinto foi publicada em 9 de fevereiro.

Dinâmica da ação criminosa

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), nove pessoas invadiram a área de pouso utilizando fardas e viaturas falsas da Polícia Federal. A abordagem aconteceu logo após o pouso, antes que os valores fossem transferidos para o carro-forte da empresa de segurança. A ação foi marcada por planejamento tático e violência:

  • Confronto com seguranças: Os assaltantes utilizaram armas de alto calibre e trocaram tiros com os funcionários da empresa privada. Após reterem a equipe, retiraram R$ 30 milhões do avião e os carregaram em dois veículos.
  • Uso de explosivos: Para intimidar os responsáveis pela segurança, o grupo instalou artefatos próximos a um dos caminhões e manteve outros explosivos dentro dos carros usados no crime.
  • Fuga e morte de sargento: Ao saírem do aeroporto, os criminosos depararam-se com equipes da Brigada Militar. O novo confronto vitimou o sargento Fabiano Oliveira.
  • Veículo abandonado: Durante a fuga, um dos carros ficou para trás. Nele, a polícia localizou o corpo de um dos assaltantes e a quantia de R$ 15,6 milhões.

Logística e facções

As investigações revelaram que o grupo utilizou um imóvel em Alvorada e um sítio em Igrejinha para guardar o armamento e preparar os veículos com placas clonadas. Além disso, o MPF apontou que os denunciados possuem vínculos com o PCC e os Bala na Cara, unindo forças para executar um dos maiores roubos da história do estado.

A decisão judicial

O magistrado destacou a complexidade do caso e reforçou que a adesivação das viaturas e o uso de explosivos foram estratégias deliberadas para facilitar o crime e demonstrar poder de fogo. O juiz também pontuou que, apesar das prisões, R$ 14,4 milhões não foram recuperados, o que demonstra a eficácia da organização criminosa em ocultar o proveito do crime.

Resumo das penas:

  • Comunicação falsa de crime: Um homem recebeu pena de um mês de detenção.
  • Organização criminosa: Um homem e uma mulher foram condenados a sete anos, 10 meses e 15 dias de reclusão.
  • Organização criminosa e adulteração de sinal de veículo: Quatro homens receberam penas entre 11 e 15 anos.
  • Crimes múltiplos (Latrocínio, explosivos, armas e facção): Nove homens receberam as penas mais altas, variando de 48 a 64 anos de reclusão.

A decisão ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

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