STF encerra sessão sem decidir se Moraes pode ser investigado

Pedido de vista de Flávio Dino suspendeu julgamento que decidiria se Moraes pode ser investigado

STF encerra sessão sem decidir se Moraes pode ser investigado.
Moraes atacando Mendonça e Toffoli se declarando suspeito. Um dia tenso no STF. Foto: Fellipe Sampaio

Brasília (DF) – O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a sessão desta terça-feira (15) sem definir se Alexandre de Moraes pode ser investigado pela relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio Dino pediu vista e suspendeu a análise. Pelo Regimento Interno, o ministro tem prazo de 90 dias para devolver o processo ao julgamento.

Questão de ordem muda rumo da sessão

A sessão havia sido convocada para analisar a Petição (Pet) 16.662, referente ao relatório produzido pela Polícia Federal (PF) no caso Master com menções a Moraes. O plenário deveria deliberar sobre a possibilidade de investigação e sobre o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o relatório. O mérito não chegou a ser analisado.

A discussão passou a girar em torno de uma questão de ordem levantada por Gilmar Mendes, por sugestão de Dino. O plenário passou a decidir se a Pet 16.662 deveria ser julgada junto à Pet 16.704, aberta a partir de informações apresentadas por Moraes sobre supostas irregularidades de André Mendonça na condução do caso Master.

Placar fica em 4 a 3

Com o pedido de vista, a análise foi suspensa. O placar provisório ficou em 4 votos a 3 pelo julgamento separado.

Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes votaram pelo julgamento conjunto. Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça defenderam o julgamento separado. Dino também defendeu a análise conjunta, mas pediu que sua posição não fosse computada após solicitar vista.

Como foi a votação

  • Gilmar Mendes: teve falas descontroladas e atacou André Mendonça repetidamente. Afirmou que “pessoas decentes não fazem isso” em relação à petição de Mendonça. Votou pelo julgamento conjunto.
  • Edson Fachin: tentou acalmar os ânimos, mostrou-se compreensivo com os ministros e manteve a postura institucional do cargo de presidente do STF. Votou pelo julgamento separado.
  • Flávio Dino: foi quem mais falou durante o dia. Fez várias referências a si próprio e à sua trajetória, citou diversos autores e livros, o próprio pai e até o humorista Fábio Porchat. Também questionou repetidamente a condução dos trabalhos por Fachin. Votou pelo julgamento conjunto, mas, no fim da sessão, após novo ataque de Gilmar Mendes a André Mendonça, voltou a cobrar Fachin e pediu vista.
  • Cristiano Zanin: falou pouco e estava calmo. Disse que cabe à PGR definir denúncia ou investigação, e não aos magistrados. Votou pelo julgamento conjunto.
  • Alexandre de Moraes: fez manifestações alterado e atacou André Mendonça várias vezes. Insistiu repetidamente que a apuração contra ele deveria ser anulada ou arquivada por ilegalidade. Votou pelo julgamento conjunto.
  • André Mendonça: foi alvo de sucessivos ataques de Moraes e, principalmente, de Gilmar Mendes, além de algumas ironias de Dino. Apresentou cronologia dos fatos, documentos, dados e informações sobre as apurações. Também falou na atuação de uma “PF paralela”. Votou pelo julgamento separado.
  • Luiz Fux: fez questionamentos que pareceram despretensiosos, mas foram bem direcionados a pontos importantes da discussão. Em coro com André Mendonça, falou em uma “PF paralela”. Votou pelo julgamento separado.
  • Cármen Lúcia: não se manifestou durante os debates e falou apenas no momento do voto. Pediu desculpas diversas vezes à população brasileira e disse que ela própria poderia ter atuado antes para que a situação no STF não ficasse tão “vergonhosa”. Votou pelo julgamento separado.

Nunes Marques e Toffoli não votaram

Kassio Nunes Marques declarou-se impedido por presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele ponderou que a decisão poderia produzir impactos no cenário político-eleitoral e afirmou não se sentir confortável para participar do julgamento.

Dias Toffoli também não participou. Declarou suspeição por motivo de foro íntimo. O ministro já havia se declarado suspeito no caso do Banco Master, em meio aos desdobramentos envolvendo negócios de Toffoli ligados ao Resort Tayayá e a Vorcaro.

Entenda

A crise no STF teve início em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo de material obtido pela Polícia Federal durante a investigação sobre Daniel Vorcaro. Entre os documentos estão mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes. O material também cita o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, mantinha contrato com o Banco Master. Depois da divulgação, a PGR pediu a anulação dos atos de aprofundamento da investigação, alegando “eventuais vícios formais”.

Em contra-ataque, Moraes pediu, na quinta-feira (3), a abertura de investigação contra Mendonça por supostos indícios de “improbidade administrativa”, “abuso de autoridade” e “crime de responsabilidade”. As acusações estão relacionadas à condução das investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master.

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