Supermercados gaúchos cogitam fechar aos domingos após o fim da escala 6×1
Enquete da AGAS aponta que 27% dos supermercadistas consideram fechar aos domingos; entidade também alerta para aumento de preços

Porto Alegre (RS) – Uma rápida enquete realizada pela Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), na quinta-feira, 15 de outubro, apontou que 27% dos associados consultados já cogitam fechar suas lojas aos domingos. A possibilidade surge após a aprovação, pelo Senado Federal, da mudança da escala 6×1 para a 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana.
Supermercados avaliam fechamento aos domingos
Além do possível fechamento aos domingos, o setor supermercadista também discute a redução dos horários de funcionamento das lojas.
Para o presidente da AGAS, Lindonor Peruzzo Junior, o fechamento aos domingos poderá prejudicar as rotinas de compras dos consumidores. Além disso, poderá aumentar a concorrência com farmácias, lojas de conveniência e comércio eletrônico. Segundo ele, o setor supermercadista já enfrenta uma acentuada escassez de mão de obra.
AGAS prevê aumento nos preços dos produtos
Na quarta-feira, 14 de outubro, o Senado Federal aprovou, em primeiro e segundo turnos, a PEC 221/2019, que estabelece a transição da escala 6×1 para a 5×2, sem redução salarial. Dois meses após a promulgação, os trabalhadores terão direito a dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente com um deles aos domingos, e a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais. Após 14 meses da promulgação, será reduzida para 40 horas semanais.
Presente em 100% dos municípios gaúchos, o setor supermercadista é responsável por 182 mil empregos diretos no Rio Grande do Sul. De acordo com a AGAS, a mudança provocará um aumento de 17% a 20% nos custos das empresas supermercadistas com a folha de pagamento. A entidade avalia que os estabelecimentos não conseguirão absorver esse impacto, o que resultaria em reajustes nos preços dos produtos.
AGAS defende liberdade de escolha do trabalhador
A AGAS também manifesta preocupação com a possibilidade de a nova escala entrar em vigor em dezembro de 2026. Segundo a entidade, a mudança às vésperas do Natal e do Ano-Novo poderá provocar dificuldades operacionais, especialmente durante o período de maior movimento nas lojas.
Em conjunto com a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), a AGAS buscará adiar o início da nova escala para 2027.
A entidade também defende a aprovação da chamada PEC do Horista, que permitiria aos trabalhadores escolher entre o regime tradicional da CLT e um modelo flexível baseado nas horas trabalhadas.
“É fundamental que asseguremos aos trabalhadores a escolha de trabalhar ou não a mais, para receber mais, dentro da formalidade”, finaliza Peruzzo Junior.