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Caso Fiorino: após 10 anos, julgamento de acusados é marcado

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Após mais de 10 anos de espera, está marcado para o dia 04 de abril, às 9h, o julgamento dos policiais militares acusados de matar dois jovens no dia 16 de março de 2014, em Bento Gonçalves. O crime ficou conhecimento na cidade como o “Caso Fiorino”.

Os PMs Edegar Júnior Oliveira Rodrigues e Neilor dos Santos Lopes são acusados de duplo homicídio e dupla tentativa de homicídio. As vítimas fatais, Anderson Antônio Stiburski e Danúnio Cruz da Costa, tinham 16 e 20 anos, respectivamente, na época do crime.

Em novembro de 2014, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou à Justiça da Comarca os policiais militares.

O julgamento é aberto ao público e será realizado na Sala do Júri do Fórum de Bento Gonçalves (rua Pres. Costa e Silva, 315, bairro Planalto).

Relembre o caso

Na madrugada de 16 de março de 2014, Tiago Sarmento de Paula, Anderson Antônio Stiburski, Danúbio Cruz da Costa, Djonathan Serafin e um adolescente de 15 anos, além de outras pessoas, dirigiram-se até a localidade de Linha São Jerônimo, na cidade de São Valentim do Sul, na chácara do pai de Djonathan, onde realizaram uma festa. Por volta das 4h, todos resolveram, então, regressar a Bento Gonçalves. Tiago, Anderson, Danúbio e o adolescente voltaram, juntos, em uma Fiorino branca dirigida por Tiago.

Quando o veículo já se encontrava em Bento Gonçalves, Tiago cruzou, na rua Olavo Bilac, com uma viatura da Brigada Militar conduzida pelo PM Edegar Júnior Oliveira Rodrigues. Na carona estava o Brigadiano Neilor dos Santos Lopes. Como a Fiorino andava em alta velocidade e cantando pneus, os policiais começaram uma perseguição pelas ruas Vitória, Olavo Bilac e Domênico Zanetti, sempre dando ordens de parada por meio de sirenes e luzes do giroflex acionadas. No entanto, o condutor temia perder sua Carteira Nacional de Habilitação Provisória (CNH Provisória) por estar dirigindo após ingestão de bebida alcoólica e por trafegar em alta velocidade, bem como por levar, irregularmente, seus amigos Anderson e Danúbio no compartimento traseiro do carro.

Durante a perseguição, Tiago chegou a dirigir em contramão e, na rua Domênico Zanetti, tentou subir num trecho de estrada de chão batido, em direção à rua Felipe Pagot (o que fez com que o veículo perdesse tração e ficasse parado numa subida), sempre com a viatura policial no encalço. Nesse momento, os policiais saíram da viatura e deram ordens expressas para que todos os tripulantes da Fiorino saíssem do veículo.

Tiago Sarmento de Paula, no entanto, não atendeu ao comando e deu marcha a ré na Fiorino até bater na viatura, além de deflagrar disparos de arma de fogo, segundo o MPRS. Diante da situação, os policiais militares, utilizando pistolas calibre .40 e uma espingarda para caça calibre .12, em manifesta inobservância à técnica para abordagem de veículos em movimento, passaram a deflagrar diversos disparos de armas de fogo contra a Fiorino, inclusive quando estava novamente em fuga, assumindo ambos, dessa forma, o risco de matar todos os tripulantes da Fiorino. O carro foi atingindo por diversas vezes.

Anderson Antônio Stiburski e Danúbio Cruz da Costa foram atingidos por disparos e morreram. Tiago Sarmento de Paula foi atingido superficialmente. O adolescente não foi ferido. Mesmo assim, o condutor conseguiu se desvencilhar da perseguição policial e foi até a residência do garoto, onde ambos esconderam a Fiorino na parte lateral da casa. Foi nessa hora que constataram que Anderson e Danúbio estavam ensanguentados e desacordados. Instantes depois, guarnições da Brigada Militar chegaram à residência e, em revista ao veículo, encontraram, embaixo de uma mochila jogada no lado esquerdo da caçamba traseira, um revólver calibre .38 municiado.